HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO PREVISTO NO ORDENAMENTO JURÍDICO.
Ordem não conhecida. Habeas corpus concedido de ofício para, de um lado, anular a sentença na parte relativa à dosimetria da pena, determinando que o juiz efetue novo cálculo com fundamento no art. 68 do Código Penal, justificando o patamar de aumento e de diminuição a ser aplicado, nos termos dos arts. 40, inciso VI, e 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006; e, de outro, a fim de afastar o óbice previsto no art. 2º, § 1º da Lei n. 8.072/1990 para possibilitar a fixação de regime diverso do fechado.
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HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO PREVISTO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. 1. NÃO CABIMENTO. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL. RESTRIÇÃO DO REMÉDIO CONSTITUCIONAL. EXAME EXCEPCIONAL QUE VISA PRIVILEGIAR A AMPLA DEFESA E O DEVIDO PROCESSO LEGAL. 2. TRÁFICO DE DROGAS. DOSIMETRIA. COMPENSAÇÃO DA CAUSA DE AUMENTO PREVISTA NO ART. 40, VI, DA LEI N.º 11.343/2006 COM A REDUÇÃO DO ART. 33, § 4º, DO MESMO DIPLOMA LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
3. REGIME DE CUMPRIMENTO DA PENA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 2º, § 1º, DA LEI 8.072/1990. HC 111.840/ES-STF. OBSERVÂNCIA AO ART. 33, §§ 2º E 3º, DO CP. 4. ORDEM NÃO CONHECIDA. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, buscando a racionalidade do ordenamento jurídico e a funcionalidade do sistema recursal, vinha se firmando, mais recentemente, no sentido de ser imperiosa a restrição do cabimento do remédio constitucional às hipóteses previstas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. Nessa linha de evolução hermenêutica, o Supremo Tribunal Federal passou a não mais admitir habeas corpus que tenha por objetivo substituir o recurso ordinariamente cabível para a espécie. Precedentes. Contudo, devem ser analisadas as questões suscitadas na inicial no afã de verificar a existência de constrangimento ilegal evidente, a ser sanado mediante a concessão de habeas corpus de ofício, evitando-se prejuízos à ampla defesa e ao devido processo legal.
2. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não é possível a operação de compensação de uma causa de aumento com outra de redução pois, não obstante aplicado, fundamentadamente, idêntico montante para majorar e minorar a reprimenda, faz-se mister incidir primeiramente o aumento, para depois ser aplicada a diminuição, como forma de assegurar o correto cálculo da pena e o tratamento mais favorável ao réu. Precedentes.
3. Não é mais possível fixar o regime fechado para os crimes hediondos e assemelhados com base apenas no art. 2º, § 1º da Lei n.
8.072/1990, com a redação dada pela Lei nº 11.464/2007, pois o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional referida norma, devendo, portanto, a fixação do regime de cumprimento da pena observar a disciplina do art. 33 do Código Penal.
4. Ordem não conhecida. Habeas corpus concedido de ofício para, de um lado, anular a sentença na parte relativa à dosimetria da pena, determinando que o juiz efetue novo cálculo com fundamento no art. 68 do Código Penal, justificando o patamar de aumento e de diminuição a ser aplicado, nos termos dos arts. 40, inciso VI, e 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006; e, de outro, a fim de afastar o óbice previsto no art. 2º, § 1º da Lei n. 8.072/1990 para possibilitar a fixação de regime diverso do fechado.